O nível de calote nos três primeiros meses do ano teve a maior queda da década, de 6,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (13) pela Serasa Experian.
Apesar do resultado, a inadimplência aumentou 13,9% em março frente a fevereiro. A explicação é que muitas famílias acabam atrasando outras dívidas para quitar as despesas típicas de início de ano, como IPVA e gastos com escola.
A empresa diz que o aumento do emprego e da renda do trabalhador brasileiro desde o fim de 2009 contribuiu com a queda no número dos calotes entre janeiro e março deste ano.
Contribuíram ainda a alta do preço dos alimentos no mês passado (o que reduziu a verba das famílias para pagar as contas) e o fato de março ter tido cinco dias úteis a mais do que fevereiro.
Quando o dado é comparado com março do ano passado, a Serasa vê queda de 9,1% na taxa de inadimplência - também o maior recuo para março desde 2000. O instituto lembra que os níveis de calotes no ano passado foram altos devido aos efeitos da crise.
Vilões das dívidas
As dívidas bancárias e os cheques sem fundos continuam como os primeiros da lista da inadimplência do consumidor neste começo de ano. Os débitos de clientes junto às instituições financeiras respondem por quase metade 48,8% de todas as dívidas (era 43,4% no primeiro trimestre de 2009).
O valor médio das dívidas com bancos é o mais alto: R$ 1.386,33 (alta de 2,1% no trimestre).
Os cheques sem fundos representam 16,9% da inadimplência (frente a 17,6% de janeiro a março do ano passado). O preço médio desse tipo de débito aumentou 43,7%, atingindo os R$ 1.191,26.
Os protestos, por sua vez, subiram de 1,9% no primeiro trimestre de 2009 para 2,1% neste ano. O brasileiro pagou, em média, R$ 1.147,20 pelos títulos protestados (alta de 10,7%).
As pendências com cartões de crédito caíram em relação a 2009, de 37,1% para 32,6% em 2010. O custo das parcelas caiu 1,6%, para R$ 380,70, em média.
Para os economistas da Serasa Experian, a perspectiva é de que a inadimplência do consumidor continue em queda na relação no segundo semestre do ano.